Subsídios para a reforma da educação superior

ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS. 2004

Capítulo 2. Ingresso, permanência e paradigmas curriculares.

A Academia Brasileira de Ciências formou um grupo de trabalho com o intuito de preparar documentos sobre temas sugeridos pelo MEC, tais documentos adotam os princípios do Manifesto de Angra em defesa da Universidade pública, e detalha várias propostas que têm como objetivo proporcionar educação superior com qualidade de ensino e de produção intelectual. Esses documentos expressam convicção de que a avaliação das instituições de ensino superior por comitês externos de pares é um mecanismo fundamental para aperfeiçoamento dessas instituições.

Sobre a reforma do ensino superior, nos EUA, o sistema de educação é muito amplo pois contém cursos com duração de dois anos que abordam temas gerais até nível de bacharel de 4 anos e PhD. O curso de bacharelado tem o chamado Ciclo Básico (CB) com duração de pelo menos 1 ano onde o estudante não precisa declarar intenção sobre sua escolha de carreira, pois o CB se dedica aos fundamentos de ciências e artes. Já no Brasil, essa questão de reforma universitária são decorrentes três grandes problemas, sendo ele: 1- o sistema de ensino superior no Brasil é incapaz de oferecer educação de qualidade para a quantidade de jovens que a solicitam; 2- os cursos de bacharelado são demasiadamente longos, com duração de 4 a 6 anos, exigindo assim que o estudante tenha sua escolha de carreira no momento que ingressar na universidade; 3- as profissões de nível superior são regulamentadas, o que impede o seu recorte e dificulta a formação de novos profissionais que o novo mundo solicita. O primeiro e o segundo problemas citados anteriormente estão interligados, já que o atendimento de um número maior de jovens requer a criação de cursos de bacharelado mais curtos.

Existe uma necessidade urgente de se ampliar o número de vagas nas instituições de ensino superior, porém coloca-se três desafios: 1- é necessário aumentar investimentos no setor público; 2- estabelecer uma estrutura que permita avaliações constantes das instituições garantindo que a ampliação das vagas não atrapalhe a qualidade de ensino; 3- aumentar a eficiência das instituições. A maior causa da ineficiência do sistema de universidades seja por causa do processo seletivo. Se a universidade retirar a opção de carreira até que o estudante tenha informações suficientes, os vários cursos terão de competir internamente para atrair os estudantes após o ciclo básico. A existência de um ciclo básico anterior à opção de carreira provoca duas competições: a competição entre os estudantes que querem ampliar suas opções, e a competição entre a instituições para mostrar aos estudantes que ali tem a melhor formação. [...o índice de desistência é alto em quase todas as áreas porque muitos alunos descobrem que sua precoce opção de carreira foi um equívoco.] (p.12).

A rapidez no avanço do conhecimento é bastante marcante nessa nova era. As habilidades de uma área que o profissional retém no seu tempo de formação costumam ficar desatualizadas rapidamente com o passar do tempo, sendo assim, pode ser que a educação contínua se torne uma prática inevitável nesse novo mundo. Nos EUA, como já foi citado anteriormente, os cursos de graduação têm duração de quatro anos, e a escolha de carreira nunca é feita antes de terminar o primeiro ano. A redução principal da carga horária obrigatória permitiria não só incentivar a participação dos estudantes no processo de aprendizado, como também possibilitaria que o estudante tivesse  uma formação mais ampla, através de oficinas eletivas e oficinas de trabalho.

 

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